O QUE O RITUAL DA TOCHA OLÍMPICA E O BALÉ TÊM EM COMUM

“Mas, Alice, o que o balé tem a ver com isso?” – vocês perguntam.

Surgida nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, a tocha olímpica tinha um significado divino. Acreditava-se que Prometeu havia roubado o fogo de Zeus para oferecer aos mortais. Como os Jogos honravam o Deus, fogos eram acessos no seu templo e no de sua mulher Hera, onde a Tocha Olímpica é acessa até hoje.

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“Com cerimônia e atrizes, vilarejo grego ensaia para acender tocha olímpica” – UOL

A Tocha Olímpica faz a viagem de Olímpia até o local da Olimpíada, através de um revezamento, desde os Jogos de Berlim, em 1936. Além de condutores correndo, ela também tem sido transportada de barco e avião. A última pessoa a levar a tocha é tradicionalmente mantida em segredo até o último momento e, geralmente, é uma celebridade esportiva do país anfitrião. O momento em que ela acende a pira é considerado um dos mais marcantes dos Jogos. Depois disso, o Fogo Olímpico queima na pira até ser apagado na cerimônia de encerramento.

 

 

 

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Seul 1988

“Mas, Alice, o que o balé tem a ver com isso?” – vocês perguntam. Antes de revelar a reposta, vale lembrar que a tradição do Fogo Olímpico teve início sééééculos antes do nascimento de Cristo, foi reintroduzida nos Jogos Olímpicos de 1928 e o percurso da tocha começou em 1936. É aqui que entra o balé – e pode ser o teatro também. Como manter uma tradição tão distante dos tempos modernos? Abusando de um elemento muito conhecido nos palcos: a mise-en-scène. (Não sabe o que é? Google.)

Começa lá na Grécia, onde fantasiam onze mulheres de sacerdotisas para acenderem a pira olímpica num ritualzzzzzzzzz (vide primeira foto do post e sua legenda). Aí vem o revezamentozzzzzzzz. Olha, não sei vocês, mas eu só me emociono com umas cinco pessoas que conduzem a tocha, e olhe lá! Só que não bastam cinco, dez, colocam 12 mil. Desculpem, mas não dá pra acompanhar e se apegar a esse ritual que, aqui no Brasil, vai durar 95 dias, percorrer 20.000km por terra, 16.000km por ar, passar por 300 cidades e pelas mãos de 12 mil condutores.

A galera envolvida trabalha forte na mise-en-scène, viu… Antes de conduzir a tocha tem todo um ensaio, dura horas, mas pode ser resumido em uma palavra: “SORRIA!” – não um sorriso qualquer, um sorriso velocidade sete do créu. Não visualizou? Eu ajudo:

O lado bom é que esse espírito olímpico preenche a vida de muita gente. Exemplo: estava eu num jantar, e não é que o anfitrião tinha uma tocha? Pois bem, depois da sobremesa, ele nos aparece com a sua tocha fálica olímpica: “Querem fazer uma foto?” – perguntou bobamente alegre e orgulhoso. “Não, obrigada.” – todos foram unânimes. Que dó.

Por outro lado, fiquei feliz em receber uma foto do meu pai com a tocha em Minas Gerais. Por acaso, um cara no hotel estava com a dita cuja e, diferente da galera do jantar, ele disse “Sim, obrigado” e fez a foto. Meu pai viveu as Olimpíadas, foi atleta e técnico. Então, para ele e tantas pessoas a tocha tem um significado. Pra mim, foi só ver o meu pai feliz mesmo.

Só posso concluir que o verdadeiro espírito olímpico vem de um significado pessoal e íntimo. Já o ritual da tocha olímpica tem mise-en-scène do começo ao fim.

Quem lembra ou escutou falar do arqueiro que, em Barcelona 1992, lançou uma flecha com o fogo olímpico para acender a pira e errou o alvo? A pira acendeu mesmo assim e os espectadores nem repararam.

O recorde mundial da mise-en-scéne ainda é da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, onde os fogos de artifício só apareceram na TV e a cantora ficou nos bastidores enquanto outra menina cativava o público no palco. “Foi por motivos de interesse nacional. A menina teria que aparecer perfeita na frente das câmeras, seus sentimentos, sua expressão, e Lin é excelente nesses aspectos”, afirmou Chen Qigang, diretor musical da cerimônia. OI?

Assim como no balé, tem a mise-en-scéne que flui, é espontânea. Essa agrega o verdadeiro espírito olímpico ao espetáculo e nos emociona. E tem aquela que faz parte da cena mas não vem de dentro, como um sorriso forçado. Essa eu nunca tive tive prazer em assistir ou executar. O fato é que não dá pra esperar a mise-en-scéne espontânea de um corpo de baile de 12 mil pessoas.

Por fim, é aquela nova história: o que os olhos e a TV não querem mostrar, a Internet posta. E a realidade, quando trata-se de Brasil, é bem diferente da expectativa. Porque nós não somos bons de mise-en-scéne e sim de improviso. Na boa, eu prefiro acompanhar o revezamento da tocha como ele é, e não como deveria ser. Obrigada, brasileiros! Obrigada, Internet!

Os amaldiçoados dessa edição – que dó!

tocha

Destaque para Luiza, dona da rede Magazine Luiza, que caio e virou meme mas fez jogada de marketing anunciando descontos de até 70% na loja online com a hashtag #CairFazParte.

Nóis qué apagá pela zueira mermo, mas se perguntarem coloca na conta do Temer.

E esse fogo que tem mais segurança que o Rio de Janeiro inteiro? Aff…

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Gente… nem sei. Sem palavras para essa selfie:

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Bônus:

Tô passando maaaaal com esse tiozinho!

O melhor do Brasil é o brasileiro, de fato.

Porque o importante é o espírito olímpico.

Que acabe logo essa mise-en-scéne e comecem os Jogos! Vai, BRASIL! \o/

E aí?

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