ABAIXO A PÍLULA ANTICONCEPCIONAL

Eu nunca tive uma boa relação com pílulas anticoncepcionais.

Comecei a tomar quando engatei o namoro, em 2009. Tinha acabado de completar 19 anos e meu corpo ainda estava numa fase transitória de menina para mulher. É, eu fui bem tardia. Como sempre pratiquei muito ballet, só fui ganhar corpo aos 18; até completar 20 ele ainda era um vaso de cerâmica no torno. Foi justamente nesse período que comecei o uso da pílula Yasmin – composta dos hormônios drospirenona e etinilestradiol. Com pouco tempo de uso meus peitos dobraram de tamanho – eu achei o máximo –, mas como consequência apareceram umas estrias. Aí eu pirei. Fui na dermatologista, que me receitou um ácido e um creme, e suspendi a pílula.

Eu quis dar outra chance aos hormônios e mudei para a pílula Adolesse, receitada pela minha médica como a mais fraca do mercado, “criada para meninas de 14 anos”, segundo ela. Desde que eu não engravidasse ou surgissem estrias, beleza. De fato, a Adolesse foi uma boa opção, meu corpo não mudou nada. Fiquei uns dois anos tomando até descobrir que eu não posso tomar nenhuma pílula combinada, porque tenho enxaqueca com aura e histórico de AVC na família. Para quem não sabe – provavelmente a maioria –, aura é um distúrbio visual que precede a dor de cabeça da enxaqueca. Tipo uma premonição. A minha dura uns dez minutos e nesse tempo ela cresce até a minha vista reduzir pela metade e retrocede até sumir. É batata: a dor vem entre 5 e 10 minutos. Um inferno que só quem tem sabe. Eu dei a sorte de entrar na pequena porcentagem dos enxaquecosos com aura, que correm um risco de três a quatro vezes maior para doenças cerebrovasculares, isto é, para isquemias e derrames cerebrais. Para melhorar, o risco de isquemia e derrame cerebral aumenta 18 vezes na jovem que tem enxaqueca com aura, fuma e toma pílula anticoncepcional, segundo o Dr. Mário Peres, médico neurologista. Resultado: cortei aquele cigarrinho parceiro da birita e, novamente, a pílula.

Ficamos uns meses à base de camisinha até eu procurar novamente a ginecologista. Eu já tinha pesquisado no Google e chegado à mesma solução que a médica: a pouco conhecida “minipílula”. Esse tipo de anticoncepcional, composto por apenas um hormônio progestogênio em dose muito baixa, não apresenta riscos importantes à saúde e é geralmente receitado para mulheres lactantes. Ela me receitou a Cerazette, composta pelo hormônio desogestrel. Joguei no Google e só li comentários de lactantes reclamando que a pílula fazia engordar. Duvidei que a culpa desses quilos extras fosse mesmo da pílula… o que me preocupou foi saber que um breve atraso na ingestão da minipílula já é suficiente para aumentar consideravelmente o risco de gravidez em mulheres que não estão amamentando.

Bom, não deu nem tempo de correr o risco. Com dois meses de uso eu ainda não tinha me adaptado e acabei desistindo. Fiz parte da mínima porcentagem que apresenta sangramento frequente – ô sorte. Cheguei à conclusão de que meu corpo não aceita hormônios estrangeiros. Você pode estar me achando uma azarenta, mas eu me agradeço. Vejo toda essa resistência como uma autodefesa. Parece que o meu corpo sabe que a pílula não faz bem pra ele e que estaria correndo risco de ter algum problema sério de saúde.

Sei que eu sou um caso extremo, mas tenho várias amigas que passam por problemas semelhantes. Existem também aquelas que usam o tal do chip que libera diariamente hormônios na corrente sanguínea e nunca tiveram nada. No entanto, uma coisa é certa: esses hormônios fazem mal à saúde. Mesmo que não afetem a mulher no dia-a-dia, as pílulas anticoncepcionais são capazes de aumentar os riscos de problemas cardíacos, pressão alta, náuseas, e até mesmo depressão. Eu me pergunto – e acho que todas as mulheres também devem se perguntar – se os homens se submeteriam a esses riscos por nós.

Sabem o que é mais interessante do que passar o risco para o outro? Desenvolver uma substância que não faça mal a ninguém. A boa notícia? Ela já existe. A ruim? As farmacêuticas não querem investir, pois perderiam bilhões e bilhões… Vale mais a pena comercializar a pílula anticoncepcional para mulheres todo o mês do que um medicamento que age por anos em homens.

Desenvolvido pela David and Lucile Packard Foundation, uma organização americana sem fins lucrativos, o Vasalgel já foi aprovado em babuínos e deve ser testado em humanos no ano que vem. Diferente da pílula, pois a sua fórmula não possui hormônios, e da vasectomia, onde os vasos são cortados, o Vasalgel bloqueia a passagem do esperma. Caso o usuário queria ‘reativar’ o canal, a empresa também criou uma injeção capaz de normalizar o processo.

Agora pasmem (ainda mais): essa tecnologia foi desenvolvida há mais de 15 anos, na Índia, por um médico chamado Sujoy Guha. Desde então, foram realizados apenas testes clínicos. Aquela velha história, se ameaça o bolso das farmacêuticas, a parada não anda. Um verdadeiro absurdo, afinal, vocês têm noção do quanto revolucionário é isso?

Até o presente, a fundação não encontrou fundos suficientes para arcar com os custos de todos os testes necessários para a comercialização. É aqui que a gente entra. A Parsemus Foudantion vem contando com a ajuda de doações e serviços de crowdfunding da internet. Na boa, basta ter o mínimo de humanidade para doar. Vamos parar para pensar: Cairia o número de abortos, de doenças cardíacas e cerebrovasculares em mulheres, de enxaquecas (olha eu aqui!), alterações hormonais, e por aí vai. Para fazer parte dessa revolução, basta clicar aqui.

Segundo a página de FAQ da Parsemus Fondation, eles esperam entrar no mercado em 2017, custando “menos do que uma televisão de tela plana”.

Publicado na NOO em 15/12/2014

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