JU MARTINS POR TRÁS DAS LENTES

Ao longo da entrevista, fiz a seguinte constatação: ela é uma guerreira. E tem mesmo pinta de guerreira, é morena, forte e de um olhar firme, principalmente atrás das câmeras. “Me tornei fotógrafa para congelar momentos que me inspiram. Também um pouco pelo fato de eu seu curiosa e nostálgica”, explica a artista.

Parte dessa nostalgia vem da lembrança do pai, que ela perdeu em seus braços aos 17 anos, vítima de câncer (eu disse que ela é guerreira não foi à toa). O pai da Ju foi eternizado por ela, não só em fotos, mas em lembranças e sonhos. E é lindo ver ela falando dele e de como ele é presente na sua vida.

Fotografia não é uma carreira óbvia, tampouco balé, tênis, vôlei e handebol, algumas das atividades praticadas pela Ju na infância e adolescência. Sua mãe não imaginava que o fato de documentar todos os passos da filha e presenteá-la com uma câmera, quando ela ainda tinha 15 anos, estaria definindo o seu destino. Logo a mãe, que sempre defendeu uma carreira tradicional e exigiu que a Ju tivesse um diploma superior.

“Eu faltava aula pra fotografar”, mas deu a sua palavra que se formaria em desenho industrial só pelo desejo dos pais. Depois de ter cursado um ano de arquitetura e ter abandonado o curso de desenho industrial, também depois de um ano, Ju retomou as aulas do último e se formou. “Trabalhei um ano e meio na área e era super infeliz”, confessa. E se a mãe não ia apoiá-la na carreira de fotógrafa, ela teve que provar que era capaz (olha ela sendo guerreira de novo). “Fotografia está te dando dinheiro?”, perguntou a mãe. “Não tive argumento, mas depois de me formar fui ver qual é.”

A Ju é bicho d’água, natação foi o primeiro esporte que praticou, para curar uma bronquite asmática, e seus namorados sempre foram surfistas. Pra não ficar entediada na areia, ela começou a fotografar surf e um pouco de tudo que rolava no mar e nas areias. Seu primeiro trabalho não poderia ser outro: fotografar a surfista Marina Werneck, para os seus patrocinadores da época. “Mãe, tô indo para a Indonésia”, anunciou em casa.

A princípio pra ficar um mês, a viagem estava certa. Mas um pouco antes de partir, num chopp com amigos, estes anunciaram que fariam uma surf trip pras ilhas Mentawai. “Meu sonho sempre foi ir pra Mentawai, era meu fundo de tela no computador, tipo isso”, risos. Como vocês podem imaginar, ela embarcou no barco dos surfistas e foi a fotógrafa oficial durante os três meses de viagem, sendo dois no barco e um em Nias, Bali e Lombok.

Com o dinheiro que ela ganhou trabalhando como fotógrafa – uhul! – se bancava tranquilamente na Indonésia. E de bicho d’água se transformou em bicho de barco, que também tem tudo a ver com ela: nada de frescura, no mar, em contato direto com a natureza e trabalhando com o que ama. Ah! E comendo peixe fresco também.

Se vida de barco, vida simples, tem tudo a ver com a Ju, desembarcar nas areias de Padang Padang, em Bali, foi um choque de realidade pop. Aliás, destinos pops pelo mundo não são a sua praia: “Quero ir para lugares-perrengue enquanto estiver nova, depois eu vou pra Europa e EUA”. Voltar para o Brasil, então… a vontade era zero.

Como nem tudo são flores, especificamente girassóis, as preferidas da Ju, foi preciso voltar para a realidade tupiniquim por questões trabalhistas. Mas a temporada em casa durou pouco, em 5 meses ela estava embarcando para filmar o programa “Sol e Sal” do Canal Off. Essa jornada durou 2 anos, e a Ju ajudava a escolher os destinos. Pelo pouco que deu pra conhecer dela aqui, dá pra imaginar que ela filmou e fotografou nos lugares mais improváveis, onde mulheres não são vistas dentro d’água. Ainda para o Canal Off, ela fez “Sangue, Suor e Javali”, durante a temporada no Hawaii, e “Família Pacelli”, na Bretanha.

Então, “era hora de voltar a focar na fotografia” – sua essência. O que não significa parar de viajar. Em janeiro de 2014, ela e o Bê, namorido, surfista e shaper, fizeram uma trip de um mês pela Patagônia de carro, acampando no capô!

Não foi a primeira viagem nesse estilo, o casal já atravessou o deserto do Atacama em 2009. “A gente sempre teve esse lance de viajar de carro”. O objetivo na Patagônia era produzir material pessoal e para a Osklen, que apoiou o projeto. Você, provavelmente, já viu fotos da Ju nas blusas da marca, muitas delas com o Bê surfando.

Em maio do mesmo ano, a Ju expôs o seu projeto ‘Mulheres Em Movimento’ naUrban Arts Gallery. Panning e zooming são algumas das especialidades da fotógrafa e, até então, eram técnicas bem desconhecidas aqui no Brasil. Seu trabalho foi tão admirado que ela foi convidada para fazer catálogos de moda no seu próprio estilo para as marcas Armadillo, Lenny e Kenner.

O mar está sempre presente na rotina da Ju, e com ele o surf. Ela está sempre produzindo conteúdo para os patrocinadores de algumas surfistas como Marina Werneck e Claudinha Gonçalves. Se você segue essas meninas no Instagram com certeza está familiarizado com os cliques da carioca.

A Ju é uma das raras mulheres que fotografa no mar. Aqui no Brasil, por exemplo, a gente conta nos dedos de uma mão. Não importa se o mar tá piscina ou com ondas de 2 metros, ela tá lá com a câmera na caixa e os pés de pato. Sempre com o máximo de entrega e bom humor, vale frisar!

Por falar em mar, a Ju foi convidada para decorar as paredes do Hotel Cezar Park de Ipanema com fotos dele e do lifestyle praiano. Pois é, ela não para! E dia 14 de maio vai rolar uma exposição com fotos extras, anota aí.

Seu último trabalho – e viagem, claro – foi acompanhando a surfista Chloe Clamon durante o mundial de longboard na Ilha de Hainan, China. Desde a preparação nas ondas chinesas, que durou 20 dias, até o campeonato, a Ju teve a oportunidade de registrar todos os passos (inclusive na prancha) da primeira brasileira a fazer pódio na modalidade.

“E aí começou 2015 e eu tô louca pra ir embora (do Brasil)!”. O foco esse ano é em projetos pessoais, alguns deles ainda em segredo. O primeiro, já em andamento, é registrar artistas e suas inspirações. “O que move essas pessoas?” e “Como isso pode tocar outras pessoas?”, são algumas das questões conceituais. Em parceria com Melissa Kepen, o projeto é em vídeo, mas sempre que dá a Ju aproveita pra fazer umas fotos. Vou pular o projeto secreto. O outro é um ensaio fotográfico com mulheres – “as formas femininas me inspiram”. Pode parecer clichê, mas acontece que o olhar da Ju não tem nada de clichê. A primeira protagonista é a surfista e antiga musa inspiradora Marina Werneck, num ensaio do mar pra terra. É só o que eu posso dizer, vamos ter que aguardar mais um pouquinho pra ver esse resultado. Enquanto isso, vale fuxicar o site da Ju e ficar de olho no que ela anda aprontando e registrando pelo mundo afora.

Publicado na NOO em 19/02/2015

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