CARIOCAS SÃO: ZAZÁ PIERECK

Sempre que eu vou ao Zazá Bistrô tenho vontade de morar naquela casa. Deixaria apenas uma mesa no primeiro andar, mas manteria toda a decoração. Aliás, vocês já repararam naquela decoração? O mais incrível é que tudo ali tem história pra contar. Daria para escrever uma matéria só sobre isso. O bar no canto da sala daria uma linda cozinha americana… O fato é que eu sempre fico viajando nesse restaurante.

Quando cheguei, a Zazá estava resolvendo umas coisas no segundo andar com a editora do seu livro de receitas, o primeiro e único, lançado na última quinta-feira. “O Mundo Encantado do Zazá Bistrô Tropical” – tem título melhor? O encantamento começou pelo ambiente, em seguida, veio a Lu: a garçonete encantada que nos atendeu. Ela me sugeriu o drink ‘Caramba Carambola’ (Absolut vodka, carambola, gengibre, hortelã e Monin de limão) – delicioso e refrescante! Os encantamentos culinários começaram já no couvert, com a tão famosa mousse de wasabi. Diga-se de passagem, a Zazá foi perseguida por causa dessa receita e houve um longo processo de desapego para publicá-la no livro. Não demorou muito, a Lu apareceu com as entradas quentes…: esfera de cordeiro, tapioca e samosa. Todas encantadas!

zaz

Lá veio ela, alta, magra, linda e radiante: Zazá. Todo mundo deveria comer lá em companhia dela. Primeiro porque ela te explica a maneira ‘certa’ de comer o prato e o que deve ir com qual molho. Segundo porque ela sabe a história de cada coisa ali e, juro, todas as que ela me contou são interessantes. Terceiro porque ela tem uma energia contagiante.

A ocasião faz o chef, eu poderia dizer da Zazá. Mas o fato é que, ela é uma chef vocacional. Aos 17 anos, foi morar em São Paulo para cursar administração de empresas na FGV e, como não sabia cozinhar, a mãe dela encomendou congelados por um ano. Depois dessa overdose, ela resolveu tentar se virar, mas confessou que por um ano ficou à base de muito sucrilho e pão com requeijão. Mal sabia ela que tinha um talento nato para a cozinha… Foi só no terceiro ano da faculdade que, a pedido das amigas, ela resolveu se aventurar. “Pensei, bom, a carne deve ser o mais difícil, então comprei carne moída porque não tem muito mistério e adicionei uns ingredientes que eu adoro: banana, castanha de caju, cebola e coentro! E fiz um arroz integral.”. Tipo, normal, quem nunca pensou nessa receita? OI? “Esse é o seu primeiro prato?!”, as amigas perguntaram. A partir daí ela virou a cozinheira oficial do grupo e acabou comprando o primeiro livro de receitas.

Depois de formada, Zazá ainda trabalhou muito com administração até assumir o seu lado artístico-gastronômico. Foram 11 anos na área, em duas empresas: Unilever e Johnson & Johnson. Mesmo assim ela achava tempo para cozinhar e até fez um curso rápido de Creoula-Cajun durante as férias em Nova Orleans. Era hora de abrir o próprio negócio. Zazá é um apelido antigo, criado pela galera da banda ‘Las Chicas Tienen Fuego‘, formada pelo seu atual marido, Cello Macedo. Inaugurado em 1999 pela Zazá e sua sócia Petra Moysés – uma sociedade que surgiu 40 minutos antes do nada, como diria Nelson Rodrigues -, o Zazá Bistrô só foi receber a merecida atenção dois anos depois, quando Zazá se demitiu da J&J para se dedicar ao Bistrô e aos filhos, Chico (15) e Flora (12).

Até então o restaurante era considerado puramente asiático pela maioria, e com certa razão. Zazá foi muito influenciada por essa culinária quando passou 40 dias na Tailândia, além do fato de que o chefe da época, Checho Gonzales, também tinha a pegada culinária do sudoeste asiático. Quando assumiu o Bistrô, ela quis deixar o cardápio mais comercial e resolver ficar à frente da cozinha – “Era só eu e os cozinheiros”. Pilhada do jeito que é, ela começou a fazer barulho: criou o ‘Zazá Em Casa‘ e o ‘Zazá Para Filhotes‘, organizou eventos, chamou a galera doFleshbeck Crew para grafitar o muro e redecorou o restaurante.

Nesse momento da conversa, ela teve que subir para acertar mais uns detalhes com a editora. Aproveitei a pausa para pedir mais um drink. Para escolher o prato principal, pedi a ajuda do chef Lúcio Vieira. Quis pegar leve porque já tinha comido couvert e entrada, então ele me sugeriu o Sashimi de Salmão e couscous ao curry com molho de maracujá, gengibre e ciboulette – leve e muito saboroso.  Não demorou muito, desce a Zazá, ainda com aquela energia toda. Sentou e disse: “Ah, esse é o meu prato preferido, eu que criei!”. Mas, segundo ela, o carro-chefe é o Camarão Flambado: “Eu pensei: Quem é chato pra comer come o quê? Foi assim que surgiu o prato” (com Risoto – “todo mundo gosta de risoto!”- ao limone e jardineira de legumes orgânicos) e não contém glúten! “Os camarões flambados… Por que flambado? Tudo mundo adora esse nome!”.

Enquanto eu comia, ela contou que um dos papéis de parede foi presente de uns espanhóis que jantavam no Bistrô, amaram a decoração e resolveram fazer parte dela. Alguns objetos ela trouxe de casa, “porque ficam melhor aqui”, apesar do marido dar falta às vezes. O segundo andar foi recentemente redecorado e aperfeiçoado: “Hoje a minha coluna não me permite mais sentar no chão, aí percebi que eu não devia ser a única e coloquei o sofá.”.

Bem diferente da Zazá adolescente, os filhos comem tudo do bom e do melhor – nada de congelados e besteiras! Os amigos também tiram casquinha. “Outro dia a Flora levou umas amigas lá em casa, quando fui preparar o lanche lá veio ela – Mãe, você não vai fazer comida esquisita não, né? – Eu fiz mexicano e elas amaram!”. Ela morreu de fofura quando o filho, Chico, rejeitou a tigela de Cheetos dos amigos do futebol. “Você não vai comer?”, perguntou o pai. “Eu não como porcaria”. “E ele estava há horas sem comer…!”, suspirou a mãe. Muito orgulho. “Eu sempre falei pra ele que Cheetos é isopor com corante amarelo!”, completa.

Paramos de falar por uns segundos, vislumbradas com a sobremesa – inédita! – que o chef Lúcio preparou pra gente: Figo caramelizado, paçoca, sagu de tangerina e merengue tostado. Detalhe: eu amo paçoca.

Nós adoramos a surpresa. Depois de rasparmos os pratos, o pessoal da editora desceu para se despedir da Zazá e ela aproveitou para pegar um livro, o qual autografou e me dedicou – fofa! Depois desse almoço encantado até me animei a ir para o fogão! Se você também se animou, ou já anima, não pode deixar de comprar o livro. Como se toda a matéria já não tivesse dado água na boca o suficiente, informo que até o dia 19 de dezembro, em comemoração aos 15 anos de Bistrô, tem um menu especial, elaborado pelos chefs que são parte do sucesso da casa: Checho Gonzales, Milene Ribas, Ronaldo Canha e Pablo Vidal.

Publicado na NOO em 16/12/2014

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