EU ACREDITO EM PAPAI NOEL

Afinal, como diz meu pai, “se ele não existisse ninguém falaria dele.”

O Natal sempre foi mágico lá em casa. A ceia era a mesma todos os anos: pernil, presunto, frutas em calda, farofa, arroz e salada de maionese. Depois de brindarmos com champanhe, eu e minha mãe nos revezarmos para dançar com o meu pai, ao som de Frank Sinatra. E se não era sempre Frank Sinatra, bom, é só dele que me lembro.

Finalmente, era chegada a hora de abrir os presentes. Mas, calma lá, tinha todo um ritual… Meu pai sentava ao lado da árvore, eu e minha mãe no sofá. Então, ele começava, com toda a emoção possível na voz: “De Evandro… Para Alice!!!” – Uau… me vinha aquele sorrisão, aquela expectativa –; “De Mônica… Para Alice!!!” – Ahhh… de novo eu, caramba!

Feliz da vida com os presentes, eu colocava o meu sapato preferido embaixo da janela e ia dormir. Sempre deixávamos umas rabanadas na mesa para o Papai Noel. No dia seguinte, a surpresa! Os presentes estavam todos lá. Tudo o que eu tinha pedido na minha cartinha. Ainda me lembro da sensação… era mesmo mágico.

Aqui, eu com 2 anos, curtindo os presentes na manhã do dia 25:

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Os anos foram passando e muitos colegas da escola começaram a desencorajar a minha crença no Papai Noel. Eu comecei a duvidar e adivinhem só… Ele me escreveu um cartão! Quando foi deixar os presentes, deixou também essas palavras:

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A letra tremida era, segundo o meu pai, consequência da idade avançada. Eu fiquei emocionadíssima com o cartão. Não me lembro se contei aos colegas da escola, acredito que sim. Alguns devem ter achado graça – a galera mais velha da condução com certeza -, outros devem ter ficado com um “hohoho” atrás da orelha. Isso foi em 1998, eu tinha 8 anos.

No ano seguinte, pedi a roupa da Sailor Moon, desenho animado japonês que fazia sucesso na época. Lógico que eu fazia por merecer os presentes! Antes dos pedidos eu contava tudo o que andava fazendo e o quanto estava me esforçando. Pena não estar com as cartinhas aqui para mostrar… Enfim, eu pedi a tal da roupa da Sailor Moon e, se possível, o seu bastão mágico.

No belo dia, coloquei o sapatinho, me lembro, no corredor em frente ao meu quarto. Era o apartamento da Soares Cabral. Pois bem, amanheceu. Assim que recobrei a consciência, abri os olhos num susto e saí correndo do quarto. Cadê? Cadê a roupa da Sailor Moon? Eu queria muito aquela roupa. Dei pouca importância para os outros presentes da lista, eu queria a roupa-da-Sailor-Moon…! Logo percebi que tinha um outro presente, que não estava na lista e que, provavelmente, estava ali para substituir a roupa da Sailor Moon: um CD do Kissin, pianista prodígio. E mais um cartão do Papai Noel:

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Foi uma decepção. Olha, eu sempre gostei de música clássica, mas não se pode comparar ou substituir a expectativa de ganhar a roupa da Sailor Moon. Não quando a criança assiste todo o dia o desenho e fica se imaginando no lugar da protagonista, no caso a Sailor Moon. Só o meu pai mesmo para salvar a situação. Ele criou uma verdadeira lenda em torno do Kissin e do CD, segundo ele, raríssimo. Kissin pra cá, Kissin pra lá. Exclamações, idealizações, caras e bocas… Eu comprei a lenda. Me senti lisonjeada por ter em mãos aquele CD.

O fato é que eu continuei acreditando em Papai Noel. Apesar de não lhe escrever mais, ele sempre existirá para mim. Guardo as suas cartas, suas palavras, a tinta da sua caneta, o carinho e o CD do Kissin, que durou muito mais do que teria durado a roupa da Sailor Moon.

Publicado na NOO em 25/12/2014

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