NÃO SOU VEGETARIANA E SOU CONTRA O FESTIVAL DE YULIN

O festival de Yulin, na China, está dando o que falar (há um bom tempo). Enquanto para os chineses é tudo muito normal, para quase todo o resto do mundo comer carne de cachorro é um absurdo tremendo. Para certa porcentagem, que parece crescer na Internet, recriminar o Festival é hipocrisia, tendo em vista que em outros países é comum comer carne de boi, frango, porco, cavalo, pato, coelho, jacaré, sapo, peixe… E QUAL A DIFERENÇA, HÃ?

Bom, eu cresci numa fazenda com cavalos, vacas, bois, patos, coelhos, porcos, frangos, galinhas, cachorros, gatos, sapos, cobras e peixes. Além de outros animais selvagens que rondam por lá. Acredito que esse histórico me dê bastante legitimidade para afirmar que há, sim, uma grande diferença entre o cachorro e os demais bichos.

Muito fácil encher os dedos para chamar os outros de hipócritas quando você nunca pisou numa bosta de vaca. Desculpem a falta de modéstia, mas eu tenho todo um currículo de pisadas em diversos tipos de bosta. Então, insisto: não sou hipócrita por ser contra o Yulin e comer carne de outros animais.

Toda a minha experiência com diversos animais comumente comestíveis por seres humanos já deixou bem claro que o cachorro é o único capaz de nos amar incondicionalmente. Inclusive, nascem sabendo perdoar e são amigos vocacionais. Alguns se tornam inimigos por culpa do próprio ser humano – vou excluí-los do comparativo. Como podemos aceitar que matem (e comam) o ÚNICO ser vivo que nasce sabendo amar?

Se você chegar perto de uma vaca, ela vai te olhar mal humorada como se estivesse dizendo “dá licença para eu ruminar em paz?”. Porcos também não ligam a mínima – só não sei como são aqueles criados dentro de casa como cachorros. Galinhas são chatas e barulhentas, correm pra lá e pra cá como loucas – chocar ovos é, realmente, o melhor que podem fazer. Galos se zangam fácil e também não estão nem aí pra você. Coelhos são fofos, confesso. Eu tive, provavelmente, o coelho mais doméstico que já existiu.

Essa história até merece um novo parágrafo. Ele foi um dos quatro filhotes da minha coelha Pretinha. Diferente do irmão preto e dos irmãos marrons, ele nasceu branco com manchas pretas, por isso o chamei de Malhado. Foi paixão à primeira vista. Como não se derreter por um filhotinho de coelho? (coisa-mais-fofa-nhom-nhom-nhom-te-esmago!) Quis levar para o apartamento, no Rio, de qualquer jeito. Minha mãe, que também se apaixonou, acabou cedendo. No meio do caminho resolvemos catar uns matinhos na beira da estrada, mas ele não quis comer. Em casa também não quis. Tentamos todos os tipos de folhas e legumes e nada. Constatamos que o Malhado ainda bebia leite – era muito baby (ownn).

O jeito foi dar mamadeira. Acontece que a boquinha dele era pequena demais pra pegar o bico. Tivemos que colocá-lo no colo, de barriga pra cima, e pingar gotinha por gotinha na boca. Esse comportamento materno que adotamos fez dele um coelho muito apegado e incapaz de morder um dedo. Me seguia pela casa e quando eu abria a geladeira ele sentava nas patas traseiras (tipo “em pezinho”), pois sabia que o leite ficava lá. Ainda sim, coelhos não ficam felizes quando você chega em casa, nem te lambem ou choram se você está triste. Não te seguem o tempo todo ou te acompanham com os olhos aonde quer que você vá. Nem perto de nada disso.

Cavalos podem gostar de você, mas o gostar deles está mais para respeito do que para afeto. Patos também nunca foram afetivos comigo, muito menos sapos e cobras. Nunca conheci um jacaré e certamente não seria um encontro agradável. Peixes… fogem. No máximo esperam a comida na superfície do aquário.

Desculpem, mas é impossível comparar o abate de cachorros com o de outros animais – apesar de que eu não concordo com abate de cavalos, porque sou muito apegada aos meus.

Ah, mas a vaca, por exemplo, é sagrada para os hindus – insistirão os teimosos. Sim, porém a questão aí é de crença e não de laços afetivos. Se para os hindus a vaca é sagrada, para a vaca ninguém é sagrado, sinto lhes dizer. Mas para os cachorros, qualquer ser humano pode ser sagrado. Seja ele indiano, chinês, assassino, anão, gay, pedófilo, judeu, analfabeto, pobre, rico… Nada importa porque amam acima de tudo. E vocação para amar é algo que não deve, em hipótese alguma, ser eliminado do planeta Terra.

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Publicado na NOO em 21/07/2015

Bônus:

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