UMA CARIOCA EM NATAL

A sexta-feira começou cedo, eu e Gatsby, meu pastorzinho de shetland de 5 meses, chegamos às 7h no Galeão. No avião conheci a Thais, que morou seis anos em Natal. Depois das devidas apresentações perguntei qual era a boa de sábado – “Sei que vai ter uma festa de eletrônico, te passo no face, a gente se fala no What’s – Tô dentro”. Pegamos as malas e fui pra casa da minha mãe com o taxista Dedé (tel: 84 99548250). É sempre bom ter o telefone de um ou dois taxistas por lá, já que na rua é praticamente impossível pegar um táxi. O melhor mesmo é alugar um carro, apesar de a cidade toda desconhecer os nomes das ruas, pois não tem placa, basta pesquisar no Google e ligar o GPS. Deu certo comigo!

A viagem tinha três propósitos, o primeiro, ajudar minha mãe a resolver umas coisas depois de ter ficado oito meses de licença aqui no Rio; o segundo, fazer o curso de mergulho Open Water da PADI e, o terceiro, aproveitar o máximo possível a semana de “férias”.

O sábado foi só curtição, nós três – eu, minha mãe e Gatsby – fomos pra praia da Barreira do Inferno, já frequentada pela nossa presidenta, pertinho do centro e exclusiva para militares e parentes. Estava deserta e a água na temperatura perfeita.

Depois de um cochilo revigorante, fui encontrar a Thais, que me levou no japa “Pinga Fogo”, em uma das avenidas principais, a Eng. Roberto de Freire – essa tem placa! Jamais esquecerei, é ponto de referência pra tudo. Voltando ao japa, é self-service mas eles fazem qualquer coisa na hora pra você. A especialidade é o sushi que leva o nome do restaurante: camarão com cream cheese envolvido no sashimi de salmão flambado. Divino!

Estava cedo pra chegar na festa, Thais me levou pra conhecer a rua do Castelo, porque tem um albergue/pub em forma de castelo e, o melhor, todos os funcionários vestem trajes medievais. O verdadeiro nome da rua? Só o Google sabe. Estava apinhada de jovens, entre os inúmeros barzinhos escolhemos o “Curva do Vento”, numa esquina mais calma. Lugar agradabilíssimo! Bem iluminado, telhadinho de palha, música (boa) ao vivo. Aprovado. Depois de umas cervejinhas (sem risco de cair na lei seca), partimos pra festinha de eletrônico. Pra quem prefere forró, na rua do Castelo tem o famoso “Rastapé”.

No meio do nada, uma casa com um banner da festa, não fiz muita fé. Entramos sem pagar, ninguém nem viu. A casa, aparentemente abandonada, tinha um quintal grande com gramado, varandão, que virou pista de dança e onde ficava o DJ, e na parte de trás mais grama e uma piscina. A produção da festa foi bem amadora, luzes coloridas sem efeito e algumas vezes a luz amarela da varanda acendia totalmente a pista de dança.

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As músicas, ou melhor, a música, porque a festa toda só tocou a mesma, se resumia a – pow pow poporopopow – que a galera toda cantava em coro cada vez que a batida voltava de um suposto drop. O interessante é que ninguém ligava pra falta de criatividade do DJ ou pra luz amarela. Nunca vi um povo tão animado quanto esse de Natal. Todos os homens dançando, tinham uns que lutavam muay thai, outros tinham trazido coreografia de casa. Gays em cima das caixas de som – improvisando um queijo -, as meninas, todas sem salto (adoro!), dançavam animadas. Não vi, durante toda a festa, uma única luz de celular, se alguém me perguntasse se já existe celular em Natal, eu diria que não. Ninguém ligava pra bizarrice alheia, ninguém julgava a saia da vizinha, ninguém tirava foto. E eu entrei na brincadeira, dancei das maneiras mais bizarras possíveis, imitava a dança alheia, fiz skip (saltinho de ballet), fiz polichinelo, corri pelo gramado, por aí vai. A Thais ria e já não sabia se eu era uma pessoa normal.

A partir da metade da festa, as coisas mais incríveis começaram a acontecer. Uns meninos dançavam deitados na grama, cansados de pular contra a gravidade, um grupo de meninos jogava futvôlei, cinco meninas faziam nado sincronizado na piscina, dois rapazes lutavam muay thai no gramado, um grupo praticava malabares, um cara dava show com o seu ioiô que disparava luz verde neon, e sabe lá o que mais pode ter escapado da minha percepção… É, Natal knows how to party!

Hora de voltar pra casa. Thais ficou, pois é, tem mais vivência potiguá que eu. Então, liga o GPS. Passando pela via costeira vi o nascer do sol, ainda tímido.

O domingo começou no almoço, minha mãe me levou pra conhecer o restaurante mais famoso da cidade: Camarões. São quatro ao todo pela cidade e a boa reputação é unânime. Uma coisa é certa: tem fila na porta. Mas não desanime, além do Wi-Fi, tem uma sala com mesinhas onde servem bebidas e aperitivos. Optamos pelo camarão com crosta de quinoa e ervas, acompanhado de risoto de queijo brie com damasco, abobrinha e amêndoas, além de um molho de frutas vermelhas servido à parte. É de limpar todo o molho do prato e, sem exagero, serve quatro pessoas.

No fim da tarde comecei meus estudos de mergulho. Depois de pesquisar na internet, achei o centro de mergulho Natal Divers, que oferece o certificado internacional da PADI. Além de ter que assistir a três DVDs, ler o livro e responder aos exercícios, os próximos três dias de aula prática me tiraram da cama às 5h30.

Sim, eu fiz o tradicional passeio de buggy pelo litoral norte, que tem duração média de 7 horas e inclui nove praias, quatro dunas e três lagoas. Nosso bugueiro foi o seu Ferreira da agência Marazul, com 30 anos de experiência nas dunas de Natal, uma verdadeira figura! – “Quer com ou sem emoção? – Muita emoção, manda bala!”. Eu pedi e ele atendeu, nosso passeio foi cheio de adrenalina, as duas argentinas que estavam conosco gritavam a cada descida. Paramos algumas vezes pra dar um mergulho e várias vezes só pra admirar a paisagem e tirar fotos.

Pela primeira vez vi dromedários, em Genipabu, mas a voltinha medíocre por 50 reais não me animou, o máximo de cafonice foi tirar uma foto no “jegueski” chamado Félix. Na lagoa de Jacumã ficam as brincadeiras, preferi o Kamicase: deita-se de bruços na prancha de bodyboard e desce-se o morro de areia que termina num lago. Muito rápido e divertido! Amei, fui 3 vezes. Por fim, paramos na praia de Muriú, onde dividimos um prato de lagosta no restaurante Mirante de Muriú.

A praia de Ponta Negra, mais próxima do centro, não fica pra traz dessas do passeio de buggy, fui umas vezes e nunca estava cheia, ninguém me cobrou pra usar as barracas, cadeiras e espreguiçadeiras, água na temperatura perfeita e limpa. Gatsby também aproveitou, já que aqui no Rio é proibido levar cachorro à praia.

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No último dia fui pras praias do sul com minha mãe, o destino final foi na “Casa da Tapioca”, joga no Google e vai: Av. José Alceu, 1400 Barra de Tabatinga. É parada obrigatória, gostando ou não de tapioca (também tem ótimos pastéis). A casa tem 60 anos de tradição, tudo começou com a vó Maria Carneiro e todas as gerações seguintes trabalham lá. Gente à beça!

Que lugar simpático, casa de palha, mesinhas no chão de areia com uma garrafa de café e uma caixinha com os dizeres “caixinha pesada é sinal de mais café… pague o seu e evite ser alvo de pragas” e paredes cheias de placas engraçadas. Lá não tem banheiro, tem “cantinho do desaperto”. E atenção idosos, grávidas e mulheres com crianças de colo: “Filas sem preferentes. Coloque alguém na fila, sente-se e tome um café… ou volte outro dia”, diz a placa. Os preços são tão simpáticos quanto o resto da casa: R$ 2 a tapioca ou o pastel, R$ 0,50 o café, R$ 3 o caldo de cana. Então é isso, “Se você está feliz, fico feliz… se você está triste, fico triste… por favor, fique rico! Volte sempre!”.

Publicado originalmente em 19/02/2014

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